segunda-feira, 5 de julho de 2010

Disfunção hormonal

Disfunção hormonal: vilã que ataca em silêncio!

Quilinhos a mais, suor excessivo ou cabelo sem vida. Antes de procurar qualquer alternativa estética, fique de olho, você pode ser vítima dela


Várias pesquisas científicas alertam as mulheres para um dado alarmante: estima- se que hoje uma a cada 15 mulheres desenvolve algum tipo de disfunção hormonal em seu organismo. E o mais chocante é que a maioria delas nem sabe que essas doenças existem.

Cabelos opacos, pele ressecada, perda ou ganho de peso sem motivo
aparente, menstruações desreguladas, tudo isso pode ser sintoma de um possível descontrole hormonal. Essas alterações podem ser desencadeadas por diversos motivos, mas sempre ligados a um fator determinante: a genética.

Segundo o endocrinologista Régis Salgado, conhecido por ser o médico de famosas como Luciana Gimenez, Iris Stefanelli e Sonia Abrão, “O descontrole hormonal pode acontecer em qualquer faixa etária e classe social. A grande explicação para o aparecimento do problema é a hereditariedade”, explica.

Há ainda sintomas mais difícieis de lidar, como depressão, irritabilidade, sensibilidade ao frio e baixa libido. Apesar de não refletirem diretamente na estética, afetam as relações pessoais e o rendimento no trabalho.

De acordo com um estudo realizado pelo Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, 22% das mulheres de todas as idades tem problemas com relação ao desejo sexual. Na faixa de mais de 50 anos o índice salta para 40%. “Quando essa falta de desejo ultrapassa os seis meses, torna-se importante investigar a causa e procurar tratamento, já que pode indicar uma disfunção da tireoide”, indica a psicóloga Carmita Abdo, coordenadora do projeto.

Como cada organismo reage de uma forma, muitas vezes a mulher procura dezenas de médicos antes de encontrar um diagnóstico preciso. Isso porque muitos profissionais acabam se baseando apenas nos resultados laboratoriais, sem avaliar a fundo as reações visíveis do corpo, por exemplo.

“É preciso avaliar cada caso. Se uma paciente está com os exames normais, mas relata alterações físicas e psicológicas compatíveis com uma disfunção hormonal, sem dúvida vou levar em consideração essa avaliação para tratar a doença”, conta Dr. Régis Salgado, especialista em metabolismo e emagrecimento.

“É comum as pacientes chegarem ao consultório tomando medicamentos para depressão, tristeza e cansaço, o que mascara os sintomas da disfunção hormonal. O melhor conselho é buscar sempre um diagnóstico preciso de quem procura entender o corpo como um todo e não por partes”.

Causas e consequências

Ainda não é possível evitar que o corpo entre em desordem hormonal, mas alguns hábitos podem ajudar a potencializar os sintomas. “Fumo, consumo de bebidas alcoolicas e uso de pílula anticoncepcional não são, na prática, causas de desequilíbrios hormonais, mas influenciam de maneira negativa a doença”, explica Régis Salgado.

No entanto, o vilão da vida moderna tem uma posição de destaque como agente desencadeador das disfunções: o estresse. “O cortisol que circula no organismo da pessoa estressada é um hormônio produzido pelas suprarrenais e afeta o sistema imunológico, além de aumentar a pressão arterial e a glicose no sangue. Se o corpo fica mais propenso a doenças, também se torna mais frágil aos problemas hormonais”, revela.

Quanto ao tratamento, o médico revela: “Infelizmente, a medicina ainda não está tão evoluída a ponto de conseguir estimular uma glândula a produzir hormônio. Logo, problemas como o hipotireoidismo são tratados com reposição hormonal, o que faz com que seja preciso encontrar uma dose adequada individualmente”.

A gravidez também pode provocar um descontrole hormonal. De acordo com o ginecologista e obstetra Linderman Alves Vieira, chefe da Maternidade Carmela Dutra (RJ), no caso da gestação, o ciclo menstrual é suspenso por muito tempo e o corpo é exposto a outros hormônios além da progesterona e do estrógeno, como a prolactina, responsável pela produção de leite.

Todas as mudanças podem causar uma confusão no organismo, que ao tentar retomar o ciclo natural da mulher, pode acabar desregulado. No caso da Síndrome do Ovário Policístico, somente depois de dois anos da primeira menstruação é que seu diagnóstico pode ser feito.

Um agravante ao tratamento da doença é a grande porcentagem de pacientes que apresentam resistência à insulina, podendo até levar à
diabetes. Pensando nisso, a obesidade tem lugar de destaque como agente agravante da doença: pessoas obesas têm o risco de se tornarem diabéticas em até 90% dos casos.

Diagnóstico Preciso

Se você tiver algum tipo de dúvida de que seus hormônios estão em ordem, consulte imediatamente um endocrinologista. Ele vai te pedir um exame de sangue chamado TSH e T4, para avaliar se suas taxas hormonais estão mesmo de acordo. Caso a dúvida seja a respeito da Síndrome dos Ovários Policísticos, o mais indicado é procurar um ginecologista.

Para detectar a doença e saber se há modificações estruturais nos ovários, é necessário fazer exames de imagens, como a ultrassonografia. Hoje em dia, os diagnósticos mais precisos são feitos com aparelhos mais modernos, como o ultrassom Doppler colorido. O exame é muito preciso, pois consegue visualizar a circulação do sangue nos ovários dando clareza ao diagnóstico.

Agora, se você foi diagnosticada com algum tipo de disfunção hormonal, não se desespere. O mais indicado é seguir com o tratamento específico para o seu caso, e assim voltar a ter uma vida normal. Ninguém precisa se sentir condenada por tomar uma medicação pelo resto da vida, afinal, o que importa é a qualidade de vida restabelecida pelo medicamento.

>> Nutrição funcional: uma forma natural de amenizar os sintomas

A melhor maneira para controlar os sintomas de qualquer doença é ter uma alimentação balanceada e feita de acordo com as necessidades do organismo da paciente.

“O tratamento nutricional funcional auxilia na prevenção de patologias associadas à síndrome dos ovários policísticos e ajuda a restabelecer o equilíbrio bioquímico do organismo da mulher, sempre levando em consideração a individualidade de cada uma”, explica a nutricionista clínica funcional Daniela Jobst.

“Uma dieta com baixa ingestão de gorduras saturadas, rica em fibras e em alimentos antioxidantes e com baixo índice glicêmico, é uma ótima escolha para as pacientes. Esse tipo de alimentação, em curto prazo, reduz os sintomas, e em longo prazo, diminui as chances de a mulher ter as doenças ligadas à sensibilidade a insulina”, afirma Daniela.

No caso de quem possui problemas de tireoide, é recomendável fazer uma suplementação com as chamadas “gorduras do bem”, contidas em alimentos como salmão, atum, sardinha e castanhas, que contêm ômega 3 e 6.

>> Conheça os distúrbios hormonais mais comuns

Tireóide

A disfunção na tireoide, uma glândula em forma de borboleta que fica na base do pescoço, é muito comum nas mulheres. Acredita-se que pelo menos 20% da população feminina sofra com o mau funcionamento da glândula responsável pela produção dos hormônios que regulam o organismo.

Existem vários tipos de alterações da tireoide, os mais frequentes são o hipotireoidismo e o hipertireoidismo.

Hipotireoidismo: problema mais comum ligado à tireoide. Caracteriza-se pela diminuição ou falta de produção do hormônio T4.
Sintomas: ganho de peso, cansaço, alteração do ciclo menstrual, pele oleosa, sensibilidade ao frio, queda e quebra de cabelo, sonolência, depressão e fragilidade das unhas.
Tratamento: reposição hormonal com controle pelo resto da vida.

Hipertireoidismo: é menos comum e mais grave, pois pode levar a problemas cardíacos e até a morte. Caracteriza-se pela superprodução dos hormônios T3 e T4.
Sintomas: emagrecimento rápido e sem motivo, exoftalmia (“olhar assustado”), taquicardia, irritabilidade, hiperatividade alterações no humor e pele ressecada.
Tratamento: injeção de um neurotransmissor para bloquear o funcionamento exagerado da tireóide.

Ovários

Síndrome dos Ovários Policísticos: trata-se de uma desordem complexa e multigênica que afeta a regulação e a produção dos hormônios sexuais femininos. Pode causar infertilidade e aumenta o risco de diabetes, síndrome metabólica, doenças vasculares, câncer do endométrio e obesidade.

Acredita-se que cerca de 15% da população feminina seja afetada pela doença, que costuma se manifestar na adolescência. Sintomas: menstruação irregular, pele oleosa e acneica, queda de cabelo e crescimento de pelos no rosto, no peito e no abdômen.

Tratamento: reposição hormonal por meio de pílula anticoncepcional é o método mais comum, mas o anel vaginal e a injeção hormonal também podem ser indicados em alguns casos. A operação é recomendada como a última opção, somente em casos urgentes, quando após ou durante o tratamento não há evolução.

Karla V. Fraga

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